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Desconstrução do sagrado no primeiro cinema de Almodóvar tem como objeto de pesquisa três filmes do cineasta espanhol Pedro Almodóvar do período da Movida madrileña, a saber: Entre tinieblas (1984), Matador (1985-1986) e La ley del deseo (1986) e o propósito de analisar a desconstrução do sagrado, especialmente em sua vertente católico romana, em tais obras. Para efeito, foram recortados os quadros dos filmes, como propõe a Análise Telefílmica desenvolvida por Rick Iedema e analisados à luz desta teoria com o auxílio da Semiótica Social. Como referencial teórico para desconstrução, sagrado e Igreja Católica na Espanha, a pesquisa lançou mão respectivamente de Jacques Derrida, Francis Huxley, Julien Ries e Julián Casanova. A discussão em torno do cinema como uma prática social baseou-se em Graeme Turner e a conceituação do período histórico denominado Movida madrileña teve aporte em Héctor Fouce e Marcela Garcés. A análise mostrou que Almodóvar em Entre tinieblas propõe uma profanação do sagrado, mostrando a instituição católica convento como um recinto de adoradoras do pecado. O sagrado, como aquilo que é separado para a reverência, perde o seu lugar e se imiscui na vivência diária, tida como pecaminosa pelos ditames oficiais da Igreja Católica. Em Matador, instituições como a Igreja Católica e Opus Dei são representadas para ilustrar o pensamento conservador do franquismo ao qual estiveram aliadas. O filme é organizado de maneira a apresentar a influência negativa da religião católica em relação aos comportamentos criminosos de um aprendiz de toureiro. Em La ley del deseo, o discurso é apresentado de forma a mostrar a desconstrução do lugar que a religião católica ocupava durante a ditadura de Franco. Por ser da época já do fim da Movida madrileña, mostra-nos o sagrado, por intermédio da religiosidade popular, integrado à sociedade espanhola sem distinções. Com uma linguagem fluida e clara, o autor expõe uma temática relevante a estudiosos de diferentes áreas, o que reflete também sua própria formação pessoal em Teologia e Psicologia. A Linguística (Aplicada) e a Semiótica se assomam numa construção atípica de um pesquisador que não se contenta com os limites disciplinares.
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