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Descrição do livro

Há muitas maneiras de contar a história do Velho Oeste. Algumas apresentam o cowboy como um homem silencioso, endurecido pela solidão das pradarias, pelas longas jornadas a cavalo, pelas tempestades, pelos duelos e pelos perigos da fronteira. Outras, porém, preferem mostrar um personagem muito mais humano — capaz de rir, brincar, exagerar e transformar uma noite aparentemente monótona em uma verdadeira festa de imaginação.
É nesse segundo Oeste que se encontra CONTOS MENTIROSOS DO TEXAS, de Mody C. Boatright.
O título não deve ser entendido como uma coleção de simples falsidades. Aqui, a “mentira” é uma arte. O contador de histórias sabe que está exagerando e, frequentemente, sabe também que seus ouvintes sabem disso. Seu objetivo não é enganar, mas divertir, surpreender e, muitas vezes, superar a história contada pelo companheiro. O exagero torna-se uma forma de humor e uma maneira peculiar de celebrar a vida nas vastas terras do Texas.
Durante as longas horas passadas nos acampamentos de vaqueiros, quando livros e jornais eram escassos e as possibilidades de entretenimento eram limitadas, contar histórias tornou-se uma das grandes diversões. Ao redor da fogueira, depois do jantar, o cowboy podia deixar de lado a rotina do trabalho e dar asas à imaginação. Um contador iniciava um causo; outro acrescentava um detalhe ainda mais absurdo; um terceiro elevava o exagero a proporções inacreditáveis. Assim surgia uma espécie de competição em que a vitória pertencia àquele que conseguisse contar a história mais extraordinária.
O novato era frequentemente a vítima preferida dessas brincadeiras. Bastava demonstrar alguma credulidade para que os veteranos começassem a “dar-lhe uma lição”, inventando perigos, animais fantásticos, fenômenos naturais impossíveis e aventuras que desafiavam todas as leis da realidade. Quanto mais o ouvinte acreditava, mais a história crescia. E, quando a narrativa atingia proporções absurdas, o próprio exagero revelava a brincadeira.
É justamente aí que reside uma das maiores riquezas desta obra: o humor não está separado da vida dos cowboys; ele nasce dela.
As cascavéis, por exemplo, transformam-se em criaturas quase sobrenaturais; o vento norte do Texas ganha dimensões épicas; os animais da pradaria tornam-se personagens de aventuras extraordinárias; e as façanhas dos vaqueiros ultrapassam qualquer limite imaginável. O que poderia ser motivo de medo ou preocupação transforma-se em matéria para uma boa história.
O resultado é uma literatura vigorosa, imaginativa e essencialmente bem-humorada. Boatright chama atenção para o contraste entre esses contos e a imagem mais melancólica do cowboy presente em muitas baladas e narrativas tradicionais. Por trás do homem reservado das pradarias havia também um extraordinário contador de histórias, sempre pronto para transformar uma experiência cotidiana em uma aventura monumental.
CONTOS MENTIROSOS DO TEXAS pode ser lido simultaneamente como diversão e como documento cultural. Suas histórias revelam como os vaqueiros conversavam, como brincavam entre si, como recebiam os recém-chegados e como construíam, através do exagero, uma imagem própria de seu mundo.
E talvez seja essa a grande ironia do livro: as histórias são mentirosas, mas dizem muitas verdades sobre aqueles que as contavam.
Elas revelam a camaradagem dos acampamentos, o prazer da conversa, o gosto pela competição, a admiração pela coragem e pela resistência, a capacidade de rir dos perigos e, sobretudo, a necessidade humana de transformar a experiência em narrativa. O verdadeiro contador não precisava que acreditassem nele; precisava apenas de um bom ouvinte disposto a entrar no jogo. Sua recompensa era a alegria de contar.
Assim, o leitor deve sentar-se, simbolicamente, junto à fogueira, ouvir o primeiro cowboy começar seu causo e esperar que o próximo contador consiga torná-lo ainda mais inacreditável.

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Encadernação :Kindle
Colaboradores CONTOS MENTIROSOS DO TEXAS (CONTOS DO VELHO OESTE):J. FRANK DOBIE (Prefácio)
Colaboradores CONTOS MENTIROSOS DO TEXAS (CONTOS DO VELHO OESTE):L P BAÇAN (Tradutor)