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“Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas e perdendo uma, não acende a candeia, varre a casa e a busca diligentemente até encontrá-la? E, achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu tinha perdido. Assim, vos digo, há alegria na presença dos anjos de Deus por um só pecador que se arrepende.”
Lucas 15.8-10
INTRODUÇÃO
Este capítulo está cheio de graça e verdade. Suas três parábolas consecutivas têm sido consideradas, por alguns, como mera repetição da mesma doutrina sob metáforas diferentes; e, ainda que assim fosse, a verdade que ensinam é tão importante que jamais poderia ser repetida demasiadas vezes aos nossos ouvidos. Além disso, é uma verdade que temos grande tendência a esquecer, e é bom que seja, vez após vez, impressa em nossa mente.
A verdade aqui ensinada é simplesmente esta — que a misericórdia estende a mão à miséria; que a graça recebe os homens como pecadores; que ela lida com demérito, indignidade e inutilidade. Que aqueles que se julgam justos não são os objetos da compaixão divina, mas sim os injustos, os culpados e os indignos, que são os verdadeiros objetos da infinita misericórdia de Deus. Em uma palavra, que a salvação não é por mérito, mas por graça.
Essa verdade, digo eu, é da mais alta importância, pois encoraja os penitentes a retornarem ao seu Pai. Contudo, ela é muito facilmente esquecida, pois até mesmo aqueles que são salvos pela graça frequentemente caem no espírito do irmão mais velho e falam como se, afinal, sua salvação dependesse das obras da lei.
Mas, meus queridos amigos, as três parábolas registradas neste capítulo não são repetições. Todas declaram a mesma verdade principal, mas cada uma revela um aspecto diferente dela. As três parábolas são como três lados de uma vasta pirâmide da doutrina do evangelho, mas há uma inscrição distinta em cada uma. Não apenas na similitude, mas também no ensino que ela contém, há variedade, progresso, ampliação e distinção. Basta ler atentamente para descobrir que, nessa trindade de parábolas, temos ao mesmo tempo unidade da verdade essencial e distinção na descrição. Cada uma das parábolas é necessária às outras e, quando reunidas, apresentam-nos uma exposição muito mais completa da doutrina do que qualquer uma delas isoladamente poderia transmitir.
Observe por um momento a primeira das três, que nos apresenta um pastor buscando uma ovelha perdida. A quem isso se refere? Quem é o Pastor de Israel? Quem traz de volta o que se desviou? Não discernimos claramente o sempre glorioso e bendito Supremo Pastor das ovelhas, que dá a sua vida para salvá-las? Sem qualquer dúvida, vemos na primeira parábola a obra de nosso Senhor Jesus Cristo.
A segunda parábola está colocada de modo muito apropriado. Ela, sem dúvida alguma, representa a obra do Espírito Santo, operando por meio da igreja em favor das almas perdidas, porém preciosas, dos homens. A igreja é aquela mulher que varre a casa para encontrar a moeda perdida, e nela o Espírito realiza os seus propósitos de amor.
Ora, a obra do Espírito Santo segue a obra de Cristo. Assim como aqui vemos primeiro o pastor buscando a ovelha perdida, e depois lemos acerca da mulher procurando a moeda perdida, do mesmo modo o grande Pastor redime, e então o Espírito Santo restaura a alma. Você perceberá que cada parábola é plenamente compreendida em seus mínimos detalhes quando interpretada dessa maneira.
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