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A COLLAGE COMO TRAJETÓRIA AMOROSA

A collage como trajetória amorosa pretende dar ao leitor uma visão do fenômeno da collage, a partir de seus elementos constitutivos, como a tesoura (recorte), a cola, as figuras (fragmentos) e os encontros das figuras. É um livro que não tem a intenção de ensinar a técnica e a arte de fazer collage, ou muito menos traçar uma história da collage, expondo os nomes e trabalhos, ainda que contenha sua breve história ao final. Na verdade, nunca pensei que se pudesse realmente ensinar a alguém uma maneira de recortar ou colar. E, quando falo em collage, estou pensando exatamente em collages constituídas a partir de fotografias e reproduções impressas. Todo trabalho foi concebido em cima das fotografias como fragmentos.
Quando concebi uma teoria da criação da collage – talvez no fundo o livro trate disso –, pensei-a do ponto de vista mais primário, ou seja, desde seus instrumentos e materiais. A collage, como qualquer outra forma de representação, pressupõe a utilização de determinados materiais e instrumentos e, também, de certas etapas, que devem ser cumpridas ao longo do procedimento.
A primeira etapa consiste na escolha dos elementos, das figuras que se pensa utilizar, e recortá-los, conforme a maneira que lhe interessa. A esta etapa denominei, obviamente, RECORTE.
O material resultante desta operação constitui-se no que se denomina por FRAGMENTOS ou FIGURAS.
A fase seguinte consiste em montar, casar as figuras recortadas. A este movimento, ou momento, costumo utilizar a expressão ENCONTROS, que serve para designar toda a sorte de aproximações que as figuras, liberadas de seu contexto anterior, costumam realizar.
As maiorias dos estudos da collage, ingenuamente, sempre tratam de colocá-la num jogo de oposição, de um binarismo entre um recortar-colar, rasgar-costurar, desmontar-montar, separar-unir, extrair-embutir, dispersar-organizar, quebrar-co lar, cortar-costurar, ignorando o intervalo significativo que se dá entre essas etapas. Basta olhar no programa de seu computador. Até mesmo os linguistas trataram de colocar como uma linguagem de oposição, não explicando como se dá a articulação das figuras. Nesse sentido, a fenomenologia dos encontros parece bastante oportuna para explicar este espaço de atuação do encontro das figuras, localizado exatamente no meio dos dois extremos, entre o cortar e o colar. Finalmente, a última etapa, a que dá nome ao procedimento, é a utilização da COLA, e tem por objetivo fixar uma figura à outra, ou a um suporte.
Em cada etapa, em cada ação procuro revelar o significado que se esconde por trás de cada ato, evidenciando que a utilização desses instrumentos e materiais não são neutros e possuem, em sua essência, um profundo significado simbólico, muitas vezes desconhecido.

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Encadernação A COLLAGE COMO TRAJETÓRIA AMOROSA:Kindle